sábado, 12 de dezembro de 2009

Entrevista à sétima edição do Observatório dos Inhamuns - Toque & Retoque

Toque
Fizemos uma festa para receber o Vice Governador do Rio de Janeiro que veio para visitar a Cidade Digital, mas, tivemos que realizar um evento paralelo para distraí-lo. Parece que não tínhamos uma grande maravilha para mostrar e misturamos as coisas...
&Retoque
Ocorre uma coisa interessante em Tauá. Comemoram e divulgam as ações de planejamento, como se realidade fossem. Tudo é motivo de uma grande festa. Fique certo de que as despesas com avião e todo o circo destes movimentos, dariam para implantar um grande sistema em Tauá, pois vivemos um momento de baixo custo dos computadores. Basta fazer as contas e compare.
Agora mesmo, ocorreu uma pane no sistema de comunicações, deixando Tauá sem acesso à rede mundial de computadores. Nada tem sido feito pela melhoria da infra-estrutura. Preferem trabalhar no varejo, sem ter efetivamente o que apresentar a uma autoridade destas, que deve conhecer todo o funcionamento.
Fico a imaginar a coragem em apresentar o que só funciona no papel, significando dizer que distribuir pão e água tem rendido bons frutos ao poder municipal.

Toque
Essa história de gastar mais com a “festa” do que com o empreendimento está se vulgarizando em Tauá. Até lançamento de pedra fundamental ou de plano de trabalho é motivo para uma “grande comemoração”. Se alguém duvidar disso olhe quanto recebemos de recursos para divulgação de eventos no “transparência Brasil”...

& RETOQUE
Esta prática tem de ser extirpada. Não se admite gastar recursos públicos em festas que não levam a nada. Veja só o lançamento da entrega de 290 computadores para escolas municipais, no dia 28 de novembro, com deslocamento de várias autoridades. Pois saibam que ao evento faltaram exatamente os computadores, e sobraram mentiras e mais uma promessa, em torno de algo tão precioso, que seria acabarmos definitivamente com o analfabeto digital. O certo é que com tudo isto, ainda existem professores em Tauá, que só conhecem um computador, por figurinha. E quero ver quem me contesta.


Toque
A primeira cidade digital do país foi criada em Piraí (RJ) quando o nosso visitante era prefeito e este destacou os avanços para economia e educação de sua terra quando implantado este projeto. Disse, também, da projeção política que isso lhe deu quando logo depois assumiu uma secretaria de governo e a vice-governadoria... A comparação é inevitável...

& RETOQUE
A verdade é que o tema é revolucionário em qualquer local do planeta, pois tratamos de um novo modo de ver o analfabeto, atribuindo de analfabeto digital, aquele que ainda não teve acesso a esta maravilhosa tecnologia. Quem só conhece Tauá pelos jornais país afora, até acredita que escolas e seus professores estão alfabetizados digitalmente falando e que em Tauá, até nas praças, viajantes acessam a Internet de alto nível.
Conhecedor da matéria como sou, digo que é subestimar demais a mente de tantas pessoas, palestrar país afora e receber outros de projetos assemelhados e utilizarem o povo tauaense como platéia, verdadeiras massas de manobras.
Digo mais: nem em Tauá, nem em Piraí tem nada do que pregam, ou tentam lavar nossas mentes. Aliás, o próprio Brasil, tem carências enormes no setor que exige conhecimento profundo, recursos e sobretudo mentes sãs na sua condução.
Um país onde as instituições públicas são utilizadas para alimentar o capricho de segmentos da sua política deve exigir de todos nós uma ação mais presente, com participação efetiva no processo de escolha de seus representantes. Tauá, parte desta constatação, exige a formação de novos grupos e novos segmentos que se engajem na formação de políticas sérias, duradouras e que respeitem o cidadão.
Por isto, tenho reclamado sistematicamente da timidez, dos que fazem a oposição a esta coligação que impera em Tauá...
Acorda oposição!!!!!

Toque
Até o lançamento do Observatório havia uma aparente unanimidade sobre algumas badaladas “conquistas” do município de Tauá, como essas questões digitais, nosso modelo de políticas ambientais, além de citações como referência de progresso e prosperidade. Antes mesmo da “queda do império” já percebemos que tudo isso pode se transformar num grande pesadelo se as mãos generosas dos governos estadual e federal nos faltarem...

& RETOQUE

Falar em conquista em políticas de preservação de meio ambiente, é pura balela. Que me apontem sequer uma ação eficaz em todo este tempo de uso indevido da mídia. Circulo bastante e acompanho estas ações, que apenas são vendidas através da mídia, mas não passam de palavras bonitas e admiradas pelos que não visitam Tauá.
Falar em município digital, outra balela maior ainda, quando temos em Tauá, uma Internet mesmíssima desde o ano de 2001, quando a Usedata teve a vontade determinada de levar esta tecnologia ao Tauá, e hoje a mantém dentro das limitações impostas pelas concessionárias do serviço.
E assim, acontece em tudo aquilo que signifique desenvolvimento moderno, capaz de gerar emprego e renda à comunidade. Devo citar outro segmento que é um desastre. Trata-se do sistema de transporte escolar, onde paus de araras transportam alunos como se animais fossem, sujeitos a todo tipo de risco, além de poeira e frio intenso nos transportes noturnos.
Agora aperto mesmo é se ocorrer uma reviravolta nos governos estaduais e federais, cortando de vez, com o apoio a ações sem nenhum retorno, mas que vem servindo tão somente a fornecer pão e circo à população. Se escancarássemos as folhas de pagamentos do município, e da Assembléia Legislativa e convocássemos todos os que recebem salários, não existiriam bureaus e nem também atividades para tanta gente.

Toque
Esta é a última edição anual do Observatório; um momento bom para fazer um balanço das atividades do ano. Como tratamos de administração e política nesta secção, façamos um resumo da atuação desses segmentos em nosso município...

& RETOQUE
Referindo-me à administração municipal, faltou exatamente um planejamento de ações, que conduzissem a políticas de fixação do homem ao seu habitat, com consequente ampliação de trabalho e de renda. Continua ainda fortemente, a migração para São Paulo essencialmente, de pessoas à busca de trabalho. Circulando na zona rural, verifica-se a quantidade de famílias, com o cabeça do casal residindo em São Paulo e enviando o sustento para os que ficaram. Isto é uma falta grave da administração, que ainda não disse para o que veio, instalando e incentivando políticas que multipliquem o trabalho. O melhor sistema de trabalho continua sendo a mãe Prefeitura, que sem nenhum freio, tem se sobrecarregado substancialmente. Não é demais dizer, que as obras executadas pela Prefeitura de Tauá, são isoladas, não existindo uma sequer, com capacidade de gerar trabalho e renda à população.

Outra falta gravíssima da administração, tem sido a divulgação antecipada de projetos, que ainda não foram executados, como se de fato o fossem, trazendo uma enorme confusão nos que somente acompanham pela mídia. E como a mídia tem sido muito forte e dominante, vende-se uma imagem do que nunca existiu e muitas vezes nunca poderá existir, pela grandeza dos resultados propostos. As idéias são boas, mas falta capacidade de serem concretizadas.

Quanto à política, esta está no fundo do poço. A oposição sufocada, sem espaço nos meios de comunicações, tem se limitado em reuniões de bastidores, tanto em Tauá, como em Fortaleza, na formação de um projeto ainda muito tímido, merecendo alavancagem e descobrindo novos valores que aglutinem e resultem em ampliação dos espaços. Sinto que precisam circular mais nos distritos, reunindo-se com as lideranças que já cobram estas ausências.


Toque
O Observatório também precisa ser avaliado. A sua opinião é importante, pois, como um dos construtores, pode expressar o pensamento de quem conhece o preço de ser livre, num sistema escravocrata... Outra: o que nos parece maior conquista do Observatório é a provocação de uma efetiva transparência no setor público...

& RETOQUE

Parabenizo a atitude louvável dos que fazem o Observatório, pelo espaço disponibilizado aqueles que desejam compartilhar seus projetos com os demais tauaenses. Tive particularmente a liberdade de levar o que penso sobre alguns segmentos da vida púlblica do Tauá, na certeza de que o Observatório se consagra como um veículo de comunicação de alto nível.

Tenho percebido claramente, que no “império” tem se instalado um cabresto curto, levando crer, que a liberdade foi extirpada, restando o sim senhor, como única expressão que agrada ao patrão. A vontade de participar e, de contribuir, tem sido inibida, quando pensam nas represálias advindas de algumposicionamento. Calar tem sido o caminho mais seguro, embora, nas entrelinhas expressem o descontentamento.

Resta mesmo como alternativa livre, este espaço do Observatório, que segundo me consta, está aberto a todos aqueles, que livres e acreditando que “água mole empedra dura tanto bate até que fura”, agauardam o momento da verdadeira glória.

Parabenizo particularmente ao trabalho do amigo Andérson, na certeza de que sem esta força, determinação e vontade de contribuir, este Observatório poderia tender ao fracasso.

Parabéns Andérson!


Manoel Enéas Alves Mota
Eng. Civil CREA-3636/D
manoeleneas@gmail.com

Entrevista à sexta edição do Observatório dos Inhamuns - Toque & Retoque

Toque
O Secretário Municipal de Ciências e Tecnologia, Élvis Gonçalves, afirmou em palestra na Câmara de Tauá (Sessão de 19.10) que “determinado Jornal precisa treinar seus profissionais sobre a cidade digital para deixar de falar mal...”
Noutras palavras, a IMPRENSA precisa ser “ADESTRADA PARA FALAR BEM”...

&Retoque
Lamentável esta posição do Secretário, pois para início de conversa, a cidade digital mantém algumas atividades irregulares, sem liberação dos órgãos fiscalizadores federais e isto ele não pode contestar.

Na verdade, todos os dirigentes da cidade digital foram mestes na divulgação de inverdades, como é também o caso do “BODE FONE”, que só existe em projeto, mas tem sido divulgado como uma realidade.

Lembro ainda a divulgação de que em Tauá existe acesso à internet sem fio, em plena praça pública e até apresenta foto de pessoas acessando através de notebook, fato que não se constata, dado a limitação da banda de internet.

Para ser mais claro ainda, a cidade digital utiliza de parte da internet, para disponibilizar a usuários particualres, onde deveria priorizar as escolas, que na maioria não tem internet.

Ainda lembro o caso das torres instaladas em várias escolas da sede e dos distritos, ligando nada a coisa alguma, que custou muito dinheiro, não servindo para nada, mas já foi objeto de muita festa e discursos de agradecimentos até mesmo na Câmara, por vereadores que também desconhecem a matéria.

Manera secretário. A cidade digital não suporta uma auditoria da Anatel.


Toque
Parece que estamos nos especializando na “ilegalidade”, afinal o aeroporto também está irregular (afirmação da ANAC), publicam-se empresas promotoras de eventos (FESTBERRO) e as licitações acontecem depois, a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno da Câmara viraram peças de ficção...


&Retoque
Procurei visitar o Aeroporto de Tauá no dia de sua inauguração, um pouco antes da solenidade. Sinceramente, em um país sério isto não acontece. Não entendi tanta pressa para fazer a festa, pois naquele instante até brinquei um pouco com amigos, dizendo que o Aeroporto de Tauá era realmente diferente dos demais. Era tanto modernismo, que os passageiros eram levados à cidade por um helicóptero. Aliás, ou sairiam de hilicóptero, ou o piloto precisava sobrevoar a cidade e retornar à origem, pois o aeroporto não tinha, como ainda não tem, um acesso de bom nível à cidade.

Por quê mesmo tanta pressa? Uma pressa que prejudica a qualidade da obra, a segurança e não permite que as diversas etapas sejam fiscalizadas com responsabilidade. Tive acesso a uma entrevista realizada com um dos engenheiros que acompanhou a obra do aeroporto, mas tive dó. Não soube justificar nada, inclusive porque ao meu ver, lhe faltou autoridade profissional na condução do seu livre exercício de engenheiro.

Quanto a processos licitatórios, é uma gracinha o que ocorre. Notícias correm e é fácil de se constatar, a repetição dos mesmos vencedores nos resultados e não temo dizer, que se o TCM tivesse uma equipe dedicada, seria dfícil suportar uma auditoria daquele Tribunal, que não tem condições de fiscalizar nem mesmo a Prefeitura de Fortaleza, imagina os demais 183 municípios.

Agora quer ver rasgado mesmo, é o regimento interno da Câmara de Vereadores. Nunca vi na história de Tauá, tanto desrespeito, tando casuísmo, tudo em prol da manutenção elitista de um quadro ultrapassado. Que seja apresentado um projeto que traduza os reais interesses da coletividade de Tauá.

Toque
As Torres que ligam nada a coisa nenhuma é um caso de desperdício de dinheiro público. Tem também mais incompetência nesse meio. Um técnico como o Sr. tem uma visão mais crítica pelo conhecimento que detém dessa área. Pessoas ficam perguntando o porquê de tudo isso e procurando o que mais se pode dizer...

&Retoque
Desde o primeiro instante que tive notícias deste fato, fiz questão de documentar e visitar praticamente todas as localidades com torres. Não acreditei no que vi e comentei com pessoas ligadas à secretaria responsável. Ocorre que leram sobre o assunto, mas não entenderam o suficiente e de imediato já colocaram em ação, um plano que tendia ao fracasso, como realmente o foi.
Ditas torres metálicas, significam dispor de estradas, antes mesmo de conhecer a possibilidade de veículos trafegarem. Antes de saber que espécie de internet dispõe, já executaram as torres, como coisa da maior importância e como se fossem o supra-sumo da verdade.
Aliás, por se tratar de um assunto moderno, sempre divulgaram o que não tem, ou supervalorizaram o óbvio. As torres não representam ainda hoje, a solução ideal para disponibilizar internet às escolas dos distritos. A primeira coisa que se precisa mesmo, é ter internet e neste segmento, praticamente nada foi feito. A Internet que existe hoje em Tauá, é a mesma que tivemos o privilégio de instalar desde o ano de 2001, quando ainda era desconhecida por muitos, a sua importância. Do ano de 2001 para cá, esgotou o potencial existente e o poder público tauaense ficou atuando no campo do varejo, disponibilizando internet para particulares, em detrimento das escolas, ainda hoje desprovidas desta grande ferramenta. Não se admite que a Prefeitura de Tauá disponibilize inernet para particulares, no instante em que as escolas não tem acesso a esta rede mundial de computadores.
Toque
A cidade digital tem no BODEFONE uma espécie de “oitava maravilha do mundo”. Tauá foi premiado nacional e internacionalmente por isso. Representantes do município viajam o país divulgando o produto. Há alguma coisa extraordinária que lhe coloca nesse patamar.

&Retoque
Fiquei chocado quando vi divulgarem esta oitava maravilha. A esta história de BODEFONE, já tenho me referido várias vezes e nada mais é, do que um sistema de comunicação conhecido no mundo inteiro por VOIP (Voice over Internet Protocol), que usa os canais de internet, em lugar da rede das concessionárias. Em Tauá, deram este nome e saíram divulgando uma grande descoberta e mais ainda: não funciona. Me aponte quem já falou neste sistema em Tauá.
Descoberta que nada, que nem mesmo como VoIP (Voice over Internet Protocol), funciona. Qual foi mesmo o tauaense que já viu este negócio funcionar? Agora festa muita sim, já aconteceu aqui e alhures. Li em um jornal que:
“Existe até fila para utilizar o equipamento. As pessoas estão conseguindo conversar com parentes que saíram daqui há muitos anos, com quem elas não tinham contato por a ligação ser muito cara".
É mesmo querer menosprezar a inteligência dos tauaense, divulgar neste nível, um fato tão normal e digo mais: bastaria dispor deste modo de comunicação, os próprios departamentos da prefeitura, para elegermos não como um fato inusitado, mas como uma grande realização.
Aproveito para fazer um apelo, para que tudo isto que dizem, tanto no campo da internet, como do VoIP, seja disponibilizado pelo menos nos departamentos da municipalidade e nas escolas públicas do Tauá.
Toque
O Secretário de Ciências e Tecnologia prometeu que até 2011 Tauá teria Internet abundante e com sobras... A velocidade das inovações nessa área faz crer aos mais leigos que isso é uma possibilidade não somente para Tauá, mas também para os mais longínquos rincões do país...

&Retoque
A Internet é hoje uma realidade que só tende a se sofisticar. Tauá não tem a internet que já existe no mundo afora, porque o poder público tem trabalhado no varejo, desprezando as soluções atuais existentes e disponíveis. Com investimentos à altura da Prefeitura de Tauá, já é possível ter internet de bom nível em todas as escolas e para toda a população. Neste tempo em que prometem, já teremos outros meios mais modernos de se conduzir a internet, como é o caso da PLC (Power Line Communication), que utiliza a rede elétrica como meio, sendo a meu ver, a única maneira de atingir a população inteira, pois quase 100% das localidades já dispõem de energia elétrica.

É preciso falar menos e buscar investir em grandes soluções, incentivando e jamais concorrendo com os segmentos privados, interessados pelo setor. Em síntese, podemos afirmar, que temos hoje em Tauá, a mesma intertet de 2001, a não ser a transformação de conexão discada, para banda larga.





Manoel Enéas Alves Mota
Eng. Civil CREA-3636/Dmanoeleneas@gmail.com

Entrevista à quinta edição do Observatório dos Inhamuns - Toque & Retoque

Toque
Tauaenses têm fama de inteligentes e preparados(as), mas, não assumem funções-chave da administração municipal há quase uma década...

& Retoque
Do ponto de vista que interessa aqui examinar, os processos políticos deste período foram marcados por significativas alianças, conchavos e acordões, envolvendo uma enorme complexidade de atores, constituídos pela chamada classe política reinante.

O eixo principal desta análise, passa pela importância do projeto científico estabelecido, com a finalidade de se perpetuar no poder, aglutinando quase todos os expoentes da vida pública tauaense.

Tem sido neste prisma que se desenrolam as decisões pertinentes à vida pública, impondo muito cuidado ao comandante, valendo ressaltar que realmente os acordos são honrados, mas com atendimentos protecionistas, como já tenho falado em outras oportunidades, longe porém de prestigiar e fazer florescer determinados segmentos. Daí ser melhor importar gestores para as funções estratégicas.

Toque
O prêmio recebido pelos de “casa” é, na verdade, a chave utilizada para “prender a respiração e a mente”, pelo que se percebe...

& Retoque
É incrível como funciona bem este processo, onde todos se sentem naturalmente protegidos. Agora uma coisa é fato: nem pensar em usar a mente. Esta sim, deve permanecer enclausurada, pois a batuta somente o maestro pode usar.

Toque
Mas o comandante, também, está “protegido” pelas forças do estado (inclusive União). Nesse nível, as coisas acontecem de outra forma. A mesa é farta e a capa protetora resistente...


& Retoque
Sem dúvida, que em Tauá ocorre apenas em miniatura do que acontece no resto do Brasil, formando uma verdadeira teia. Quem acompanhar os repasses de recursos oriundos de todas as áreas, aqui não excluindo nenhum segmento, pode verificar que são dispersos, faltando apresentar um projeto globalizado, capaz de mudar o perfil econômico do Tauá, a ponto de só existirem faláceas e obras isoladas. São obras inacabadas, incapazes de mudarem o perfil da economia, bem como de gerarem emprego e renda.

Observe que o tipo de obra, é aquela que causa visibilidade, não importando que falte um projeto com ações estruturantes, que verdadeiramente mudem o perfil da economia. Só para tocar de leve, veja que Tauá vive tão somente do comércio e serviços, não agregando nenhum valor ao pouco que se produz. Tendo o milho com um principal produto e não dispondo de uma indústria de beneficiamento deste, ver o milho sair e dipois retornar sob forma de fubá ou rações, constituindo em um enorme prejuizo, só para citar um segmento que precisaria ser trabalhado.

A centralização de poder é tão grande, que presenciamos o Secretário de Saúde, anunciar o asfaltamento de Santa Tereza, em uma reunião de costume, momento em que deveria buscar soluções para a combalida saúde.

Toque
O Jornal O Globo, em sua edição de 25.09.09, traz matéria sobre a Assembléia Legislativa do Ceará, versando sobre assuntos já abordados nessa Coluna. A grande imprensa do Ceará não parece dar a mesma importância a essas questões...
& Retoque
Creio que falas do caso da “Folha Zero”, que relatava sobre contratação de prestadores de serviços pelos deputados, sem necessidade de comparecimento ao trabalho. Realmente não vi nada divulgado sobre o fato na imprensa local. Novidade não foi para mim, pois é fato que isto sempre ocorreu, sendo caso normal, no gabinete de todos os deputados. Até me arrisco dizer, que os Tribunais de Contas fazem vista grossa. Este artifício se constitui em uma solução encontrada, para acomodar os amigos em alto estilo.

O mesmo texto do Jornal O Globo, tratava das obras então desenvolvidas, que não eram prioritárias, mas apenas se constituindo de mais um luxo dos deputados, nada agregando à edificação, que já estava atendendo muito bem ao funcionamento daquela casa legislativa.

Concordo perfeitamente, que o túnel que interliga ambientes daquela casa, foi executado tão somente, para que os deputados se distanciassem dos seus correligionários, que muitas vezes esperavam nos corredores da Assembléia, para uma conversinha de pé de ouvido. Conversa em pé de ouvido, os deputados só gostam mesmo nos períodos eleitorais.

O fato é que estas matérias não são divulgadas na imprensa local, porque está amordaçada, ao ponto de que existem tão somente a serviços de determinados segmentos da vida pública. É uma pena que o dinheiro público seja utilizado de forma tão pobre. Tenho um sentimento comigo, de que é muito caro para o setor público, manter todos estes segmentos blindados, essencialmente quando se trata de acordos, pois estes amordaçam com malvadeza, até antigos inimigos políticos. Precisamos aprender a votar. As próximas eleições estão sendo preparadas. Rogo para que saibamos exercitar com maestria, este grande direito que temos ao nosso alcance.

Toque
A questão da “Folha Zero” é antiga. Em 2001, a imprensa cearense deu maior repercussão, movida pela força política do então governador Tasso Jereissati que “brigou” com o presidente da ALEC Wellington Landim. No contexto atual, 02 fatos nos assustam: nenhuma providência foi tomada à época, como se nota. O segundo é que a partir de 2007 sofreu um grande impacto (para pior), crescendo mais de 20%. Pior ainda: o silêncio reina no mundo político, onde oposição e situação fazem vistas grossas.


& Retoque
Por isto insisto em afirmar, que o custo destes acordões aos cofres públicos, é enorme. Não é fácil, manter tantos antagonismos agregados em um só bloco e comandados por uma só batuta. Esta unanimidade de fato não existe. O que existe de concreto, é uma perfeita divisão do bolo, aliada a um grupo de pessoas que preferem um meio mais fácil de sobreviver.

Bom lembrar, que o desmando não fica apenas na folha zero. É muito grande a folha dos que estão licitamente à disposição dos gabinetes e nem sequer comparecem ao trabalho, para oferecerem a contrapartida pelo que recebem dos cofres públicos.

Toque
Setores como o comércio, serviços e agropecuária que tocam a economia do município são os mais prejudicados, pois, não recebem o devido apoio em políticas públicas. Geram a riqueza, mas, somente algumas “lideranças” desses segmentos são prestigiadas e, mesmo assim, em caráter pessoal, com ações de pouco interesse coletivo...
& Retoque
Qualquer indicador de pobreza, coloca Tauá em faixas humilhantes. Para se ter uma idéia, temos em Tauá, 68,22 % da população sem nenhuma renda, ou com renda de até um salário mínimo; temos 3,34% da população com renda entre 5 a 10 salários mínimos e acima de 10 salários mínimos, temos apenas 1,51%. Isto significa dizer, que com pouco esforço, seremos capazes de relacionarmos os nomes daqueles que ganham acima de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais).

Enquanto amargurarmos indicadores tão perversos, não podemos falar em progresso, mas em pobreza e subdesenvolvimento. A riqueza de Tauá nunca esteve tão concentrada nas mãos de poucos e nunca vi as poucas oportunidades que surgem, serem direcionadas para os mesmos. Ai daqueles que ousam empreender, sem o ombro amigo da batuta.

Toque
A Prefeitura se aproveita disso e vai pelo “mais fácil”, sub-empregando muita gente, desviando um dinheiro que serviria para estimular o setor produtivo e prestar bons serviços à população. Escraviza e humilha ao invés de promover o desenvolvimento.
& Retoque
A verdade é que não se vê nenhum projeto que incentive a geração de renda. Para os que não concordam com o ombro amigo, só resta o caminho de São Paulo, que também já não oferece as oportunidades cortejadas do passado. Os programas existentes, não passam de meras fantasias, sem nenhum cunho de alcance concreto. Algumas idéias são realmente desenvolvidas, mas tão somente no campo da mídia, para quem tiramos o chapéu, pela capacidade de vender o que não existe. Basta ver como são vendidos os programas de Biodiesel, Energia Solar, Cidade Digital e tantos outros.

domingo, 4 de outubro de 2009

Entrevista à quarta edição do Observatório dos Inhamuns - Toque & Retoque

Toque
O prefeito e o vice de Tauá são jovens que ingressaram recentemente na política...

& Retoque
Para quem não conhece o dia a dia da política, talvez se enchesse de esperanças de renovação. Basta retornarmos a pleitos anteriores, onde jovens participaram do processo devido a conquistas de espaços decorrentes de militâncias e valores próprios. Quero me referir diretamente aos médicos Dr. Hidelbrando e Dr. Passos, pessoas de largo conceito e de inestimáveis serviços prestados à população de Tauá, mas que tiveram seus nomes retirados do processo. Quero dizer com isto, que na realidade não tivemos nenhuma renovação, mas um mergulho profundo nas raízes coronelescas do Tauá de sempre.

Toque
Então, todos são iguais. Prefeito e vice atuais representam a mesma coisa...

& Retoque
Na verdade, a última tentativa de renovação política em Tauá, se deu com a criação do PSC, que culminou com a inserção do Dr. Hidelbrando como vice-Prefeito e de Agenor Mota como vereador, embora o partido tivesse sido idealizado em cima de um projeto de mudança, que quebraria a bipolaridade secular da política tauaense. Significa dizer, que a plataforma do PSC seria conduzir um filiado, à Prefeitura de Tauá e com isto oferecer mais uma alternativa à população, já cansada do processo bipolar. Só que naquele momento, alguns membros do PSC foram convencidos a se comporem com uma das forças e resultou no que todos conhecem, tendo o partido sofrido algumas perdas, inclusive tendo parte do grupo fundado outro partido e este amigo que vos fala, presidente da época, se encontra desfiliado. Toque
Pelo jeito, desde que o povo aprove, mudança se faz com pessoas e idéias e menos com partidos e caciques...

& Retoque
Certo que mudanças se fazem com um misto de tudo isto. Os partidos deveriam buscar o poder, mas buscam conchavos e os caciques querem se manter sempre participando do processo e mais modernamente encontram na política, suporte para alavancagem dos seus negócios, a ponto de não mais honrarem a sua palavra, o importante sendo a manutenção do poder sob as mais variadas formas, seja política, ou econômico-financeira. Tem mesmo é que levarem vantagens.

Numa pequena análise dos grupos políticos de Tauá, veremos a parafernália que acontecem com as formações dos partidos. É o pai em um partido, filhos e amigos em outros partidos, tudo orientado de modo contemplarem aos mais possíveis resultados.

Observa-se que o poder continua nas mãos de caciques, na maioria das vezes reféns de situações, o importante sendo a sua permanência nos palanques, sob alegativas de que outra posição prejudicaria os seus amigos, que se juntam como pequenos currais.

Mudar fica em um plano muito audacioso e passa a exigir muita renúncia, (.). Diria que para efetivamente provocar mudanças, além de idéias, é preciso a formação de grupos independentes e com profunda formação ideológica, que não aceitem sob nenhuma hipótese, a formação de conchavos, ou acordos espúrios.

Será que é fácil a formação de um grupo com estas características? Sabemos que não, mas à medida que as pessoas forem se capacitando, se tornando independentes, circulando em outras plagas, ou até se exilando, quem sabe, as mudanças possam acontecer. Só os heróis da resistência estarão neste rol. Pena que a própria juventude está tão enquadrada nestes métodos, que não se manifestam, a não ser apoiando e admirando as ações da cúpula. Também, a folha de pagamento dos gabinetes da Assembléia está rechonchuda, contemplando uma enorme quantidade de jovens, que se formam alienados, presos a um processo perverso.

Toque
O último pleito demonstrou que o povo deseja mudanças... seria importante a união de todas as correntes que discordam para enfrentar a hegemonia instalada...

& Retoque:
Eu diria que o povo merece uma mudança. O que ocorre na verdade, é que se constituindo em uma enorme massa de manobra, mesmo pensando em mudar o projeto instalado, prefere manter-se na zona de conforto, participando de quinhões do bolo, que mesmo sem ser muito Grande, vem agradando substancialmente.

O clientelismo, aliado ao assistencialismo que já vem de um exemplo superior, constituem-se por si, fortes variáveis da complexa equação dos matemáticos da política, que cientificamente as mantém em alta, dominando os segmentos da comunidade, anos após anos, a ponto de que convivem com certo grau de harmonia, apesar dos antagonismos dos sub-grupos que juntos formam o grupo dominante, que protege muito bem, agrada muito bem, desde que ele permaneça no estado totalitário.

‘Quanto à união de todas as correntes discordantes, para o enfretamento da hegemonia estabelecida, também tenho uma posição diferente. Bastava a coerência dos participantes do grupão, para tudo ir de água a baixo. Creio que a participação de parte do grupão, com segmentos da chamada oposição, romperiam esta hegemonia, que mais cedo mais tarde, será quebrada, pois não se enganem: existem pessoas pensando os caminhos e tentando montar mais uma equação disposta a um enfrentamento, buscando um resultado mais humano para o povo tauaense.

Claro que o comandante sabe disto e por isto mesmo, vem aplicando rédeas curtas nos aliados, não permitindo certos posicionamentos, sob pena mantê-los a pão e água, malvadeza que todos temem. O tempo, senhor de tudo e a paciência dos que pensam um Tauá diferente, haverá de reverter esta situação, bem mais cedo do que se pensa.

Toque
Corremos o risco de trocar seis por meia dúzia se não houver ingresso de novos valores na política do município...

& Retoque:
Eu me encontrei hoje mesmo com um grupo de amigos, todos, claro, do grupo das “rédeas curtas”, que sabendo de um determinado projeto em andamento, lamentava bastante não poder oferecer a sua contribuição, pois, embora concursada, tinha uns extras que não poderia perder.
Entende-se com isto, que a sombra sendo boa e generosa, igualmente a da Mangueira, só ela produz bons frutos. Quem já se viu alguma coisa florescer embaixo de mangueira. Sombra boa, serve mesmo é para uma boa rede e muita descontração, muito pão e muito circo.
Em uma escala maior, imagina você, partindo agora para os grupos empresariais, a grandeza dos comprometimentos, impedindo o homem de livre pensar, coisa que até entendo.
Respondendo, ao TOQUE, eu diria que existe sim, chances e terreno fértil para o ingresso de novas lideranças. Não creio que a oposição que aí se encontra, tenha condições de superar o projeto científico instalado em Tauá. Com todo respeito que tenho, a oposição hoje instalada, é tímida e não apresentou ainda um projeto que convença ao povo tauaense. O momento exige dos líderes, mais do que simples retórica. É assim o funcionamento da política moderna.

Toque
O leitor do OI é exigente e quer saber de perspectivas dessa coluna para edições futuras...

& Retoque:
Assim como o próprio Observatório, essa coluna representa um importante espaço para avaliações dos movimentos políticos de Tauá, essencialmente quando se trata de uma conjuntura em que existe falta de espaço na mídia tauaense, bem como a timidez dos que até tem vontade de expressar os seus pensamentos, mas não o fazem por medo de represálias, afinal a sobrevivência de muitos pode ficar comprometida, a partir de posicionamentos, ou expressões não agradáveis para a situação implantada em Tauá.
Ressalto isto, por já ter sido abordado por muitos, que até gostariam de exteriorizar os seus pensamentos, não o fazendo por temer prejuízos. Portanto, como instrumento de livre expressão de pensamento, a coluna está realmente de parabéns, podendo oferecer com perfeição, a análise do quando político que se desenha em Tauá. Claro fica, que nossas análises aqui representarão sempre o pensamento de muitos tauaenses.

sábado, 13 de junho de 2009

Entrevista ao Jornal Observatório

Dr. Manoel Enéas é um técnico competente, que ocupou importantes cargos públicos no estado, tendo sido Superintendente da SOEC, Diretor de Planejamento do Tribunal de Justiça e da Cagece e Secretário Adjunto da SEGOV; É o criador da Usedata, que segundo a escritora Anamélia Mota é “marca do início do século XXI em Tauá”. O OI acatou uma sugestão dele para implantar essa secção e jogamos em suas mãos esse desafio.

OI: Como anda a comunicação virtual em nosso município?

Enéas: Pode parecer um paradoxo, mas não vai bem. A infra-estrutura mantida pelas concessionárias não é das melhores, impondo aos usuários uma limitação muito grande.

OI: Qual o melhor caminho a seguir?

Enéas: Sem dúvida alguma, será uma participação mais atuante do poder público, se afastando da operação e passando ao plano estratégico.

OI: O Sr. até recentemente foi presidente de um grande partido em nosso município. Como anda o Enéas político?

Enéas: Na verdade, nunca me afastei do entendimento político de Tauá. Quer acompanhando através do noticiário político, onde através da Usedata mantemos todas as emissoras de rádio na Internet, quer reunindo-se aqui e acolá com amigos tauaenses. Acontece que os acontecimentos e conchavos do último pleito me fez recuar um pouco, não para abandonar a política, mas aproveitando para concluir um pós-graduação que eu vinha adiando ano após ano. Tenho dito a amigos, que estou cumprindo um auto-exílio e aproveitando para concluir este curso, que acontecerá possivelmente em setembro de 2009.

OI: O município de Tauá, na avaliação de muitos, tem revelado grandes políticos e administradores de menor porte. Como conciliar essa relação entre política e administração?

Enéas: A atividade política, pelo poder que se deposita nas mãos dos eleitos, requer destes, muita humildade. O diagnóstico que faço, é que falta humildade à classe política dominante, achando-se verdadeiros deuses. Significa dizer, que até poderiam ter competência administrativa também, mas preferem se manter anos, após anos no poder, tolhendo as oportunidades dos mais jovens, onde vale dizer: tudo fazer para manter-se no poder, não importando-se dos meios. O que se choca frontalmente com os métodos administrativos da modernidade.

OI: É claro que existem opiniões diferentes sobre os nossos “grandes políticos”. O que de fato tem acontecido em Tauá?

Enéas: Vou lhe dizer uma coisa. As poucas vezes que alguém assumiu o poder municipal e estava fora dos clãs elitistas, se deram mal. Até cassações foram registradas, tudo em prol da manutenção do poder entre os mesmos. Em Tauá, sempre existiram dois lados. Agora progrediu....só existe um lado.

OI: Numa região pobre como a nossa, o setor público tende a assumir um papel mais forte na economia. Como tem se comportado o poder executivo em Tauá?

Enéas: Se mantendo na zona de conforto, tendo o poder municipal como única e exclusiva fonte de emprego, tem sido muito bom para a manutenção das elites no poder.

OI: A ex-prefeita, Dra Patrícia Aguiar, acaba de ser escolhida para ser Secretária de Turismo de Fortaleza. Isto se deve a uma boa articulação política, mas, também a uma badalada fama de gestora competente. É isso mesmo?

Enéas: O que sabemos a nível de noticiário, é que o que pesou mesmo foi ter ganho um prêmio de Prefeito Empreendedor do Governo Federal. Conheço muito bem o Tauá, tenho atividades produtivas inclusive no campo, onde mantenho um projeto de apicultura em Marruás. Sinceramente, em termos concretos, fora do papel, qual o empreendedorismo implantado em Tauá, que tenha resultado em fontes de trabalho e renda? Somente o ombro amigo da prefeitura de Tauá se mantém como fonte de emprego.

OI: Sua Terra é um município de dimensões extraordinárias (4.018 km²). O seu distrito de Marruás guarda essa mesma proporção. Qual o tratamento que tem sido dispensado para localidades mais distantes do centro urbano?

Enéas: Sem querer radicalizar ou ser extremista, nada tem feito. Apenas tem acontecido alguma coisa, nos segmentos de políticas idealizadas pelo governo federal. No plano municipal e estadual, tem sido uma catástrofe. Já ouvi discursos, onde dizem: “se tirar a energia, as escolas” entre outras colocações, nada ficaria no distrito, onde queriam dizer serrem responsáveis por tudo que ali foi realizado. Só que isto é o mínimo dos mínimos, além do que alguma coisa precisa mesmo ser feito. Falta a elaboração de um planejamento estratégico que priorize e respeite o homem. Um plano que crie e incentive a produção, deixando de priorizar o ócio. Temo pelo futuro da juventude, completamente sem oportunidades.

OI: Como buscar o nosso desenvolvimento?

Enéas: Simples demais. Implantar políticas duradouras de fixação do homem ao teu habitat, priorizar execução de obras que tenham retorno social, acabando de uma vez, com investimentos em segmentos que nada retornam à comunidade. Discutir os investimentos com os grupos comunitários, descobrindo o potencial de cada localidade, pois o que é bom para um distrito, pode não ser bom para o outro. Hoje, com acesso à Internet e com a universalização da energia elétrica, é o momento de fixar o homem à sua origem. Manter grandes aglomerados urbanos requer altos investimentos.

OI: Deixe uma mensagem para o cidadão tauaense que sonha com dias melhores...

Enéas: Esta respondo ainda com a maior tranqüilidade. Primeiro aos jovens: Estudem, não aceitem migalhas sob forma de ajuda que no futuro haverá de marginalizar e mantê-lo com amarras que impedem o livre arbítrio. Aos demais cidadãos, procurem descobrir o verdadeiro potencial. Todos nascemos para uma missão. Quanto mais cedo encontrarmos este caminho, maior e mais veloz o nosso sucesso acontecerá.

Internet em Tauá – Realidade e Tendência

O Século XXI iniciou e todos esperávamos por um marco histórico em Tauá, que caracterizasse de modo verdadeiro, a chegada de um novo século. Foi quando fundamos a Usedata em Tauá.

Até então, o acesso a esta rede mundial de computadores, apenas era conhecido de um pequeno segmento da população, que assim mesmo, não tinha a devida noção da sua importância.

Naquele momento, ao elaborarmos nosso planejamento estratégico, nos deparamos com as limitações impostas pelas concessionárias, que legalmente disponibilizam o serviço para os provedores de internet.

Dimensionamos um contrato com a concessionária do serviço, em que julgávamos atender de bom grado, aos que potencialmente necessitavam de acesso a esta rede mundial.

Assim, os segmentos principais, como sejam: emissoras de rádios, cartórios, escritórios de contabilidade, estudantes e um pequeno segmento do comércio, foram atendidos, por uma tecnologia chamada de “acesso discado”.

Sempre atenta ao que acontecia no mundo inteiro, a Usedata veio acompanhando o desenvolvimento tecnológico, migrando para um acesso mais moderno, chamado Banda Larga.

A partir deste momento, a comunidade tecnológica ligada ao setor passou a conviver com uma acelerada mudança, que passou a exigir muito mais competência e equipamentos mais arrojados. Modernizamos-nos sempre e nunca ficamos atrás dos acontecimentos tecnológicos.

Acontece que a estrutura que disponibiliza acesso à nova tecnologia em Tauá, por parte das concessionárias, não acompanhou a demanda já crescente, pois a Usedata popularizou a Internet além fronteiras, disponibilizando vários serviços, com destaque permitindo acesso à todas emissoras de rádio da cidade, para o mundo inteiro, como cortesia aos tauaenses que residem em outras localidades.

A Internet já havia se popularizado e todos sabiam a sua utilidade. Foi então que o poder público tauaense se inseriu no processo, administrando parte da capacidade total possível para Tauá, naquele momento, sem no entanto ampliar o acesso que potencialmente já estava comprometido, mas utilizou de uma parte do que já existia.

Daí para cá, convivemos com um sistema limitado, em que não se consegue atender à demanda existente, pois o backbone (rede principal por onde passam os dados dos clientes da internet) disponível para Tauá está sobrecarregado, nunca tendo sido suficiente.

Conclamo a darmos as mãos, trocarmos experiências e universalizarmos verdadeiramente a Internet em Tauá, acabando de uma vez por todas, com discursos, retóricas, ou divulgações do que somente existe nos papéis, como é o caso do Bodefone e um conjunto de torres metálicas espalhadas nas escolas de todos os distritos, que custou caro ao poder público e sem nenhuma utilidade, se constituindo em uma total falta de conhecimento do setor.

A Internet está em constante efervescência, existindo outras formas de acesso, como o caso da PLC (Power Line Communication), que utiliza a rede elétrica como meio, sendo segundo estudiosos do assunto, a única maneira de atingir a população inteira, pois quase 100% das localidades já dispõem de energia elétrica.

No último dia 13 de abril de 2009, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamentou a resolução 527/2009 sobre o uso comercial da PLC (Power Line Communication), tecnologia que permite compartilhar a infraestrutura da rede de energia elétrica para acessar internet. Isso significa que, em vez dos modems convencionais para conexão ADSL, cabo, WiFi, ou 3G, o usuário terá à disposição uma outra solução que permite a utilização de um equipamento específico para navegar na web por meio da rede de eletricidade comum. Seria verdadeiramente o caminho mais fácil da universalização da internet.

A Usedata já desmistificou o uso da internet em um momento que ninguém conhecia, e agora, com mais experiência propõe e alerta ao setor público para sua responsabilidade, pois este precisa utilizar de sua força, para ampliar a infra-estrutura deste grande segmento.

Bom dizer, que a grande função do setor público neste momento, é criar condições para ampliar o acesso, deixando a operação do sistema com outros setores da comunidade.

O desafio está lançado. Este é um setor que exige experiência, aprofundamento e grande investimento tecnológico.

Manoel Enéas Alves Mota
Eng. Civil – CREA-3636/D
Calculista e Gestão de Empreendimentos