sábado, 12 de dezembro de 2009

Entrevista à quinta edição do Observatório dos Inhamuns - Toque & Retoque

Toque
Tauaenses têm fama de inteligentes e preparados(as), mas, não assumem funções-chave da administração municipal há quase uma década...

& Retoque
Do ponto de vista que interessa aqui examinar, os processos políticos deste período foram marcados por significativas alianças, conchavos e acordões, envolvendo uma enorme complexidade de atores, constituídos pela chamada classe política reinante.

O eixo principal desta análise, passa pela importância do projeto científico estabelecido, com a finalidade de se perpetuar no poder, aglutinando quase todos os expoentes da vida pública tauaense.

Tem sido neste prisma que se desenrolam as decisões pertinentes à vida pública, impondo muito cuidado ao comandante, valendo ressaltar que realmente os acordos são honrados, mas com atendimentos protecionistas, como já tenho falado em outras oportunidades, longe porém de prestigiar e fazer florescer determinados segmentos. Daí ser melhor importar gestores para as funções estratégicas.

Toque
O prêmio recebido pelos de “casa” é, na verdade, a chave utilizada para “prender a respiração e a mente”, pelo que se percebe...

& Retoque
É incrível como funciona bem este processo, onde todos se sentem naturalmente protegidos. Agora uma coisa é fato: nem pensar em usar a mente. Esta sim, deve permanecer enclausurada, pois a batuta somente o maestro pode usar.

Toque
Mas o comandante, também, está “protegido” pelas forças do estado (inclusive União). Nesse nível, as coisas acontecem de outra forma. A mesa é farta e a capa protetora resistente...


& Retoque
Sem dúvida, que em Tauá ocorre apenas em miniatura do que acontece no resto do Brasil, formando uma verdadeira teia. Quem acompanhar os repasses de recursos oriundos de todas as áreas, aqui não excluindo nenhum segmento, pode verificar que são dispersos, faltando apresentar um projeto globalizado, capaz de mudar o perfil econômico do Tauá, a ponto de só existirem faláceas e obras isoladas. São obras inacabadas, incapazes de mudarem o perfil da economia, bem como de gerarem emprego e renda.

Observe que o tipo de obra, é aquela que causa visibilidade, não importando que falte um projeto com ações estruturantes, que verdadeiramente mudem o perfil da economia. Só para tocar de leve, veja que Tauá vive tão somente do comércio e serviços, não agregando nenhum valor ao pouco que se produz. Tendo o milho com um principal produto e não dispondo de uma indústria de beneficiamento deste, ver o milho sair e dipois retornar sob forma de fubá ou rações, constituindo em um enorme prejuizo, só para citar um segmento que precisaria ser trabalhado.

A centralização de poder é tão grande, que presenciamos o Secretário de Saúde, anunciar o asfaltamento de Santa Tereza, em uma reunião de costume, momento em que deveria buscar soluções para a combalida saúde.

Toque
O Jornal O Globo, em sua edição de 25.09.09, traz matéria sobre a Assembléia Legislativa do Ceará, versando sobre assuntos já abordados nessa Coluna. A grande imprensa do Ceará não parece dar a mesma importância a essas questões...
& Retoque
Creio que falas do caso da “Folha Zero”, que relatava sobre contratação de prestadores de serviços pelos deputados, sem necessidade de comparecimento ao trabalho. Realmente não vi nada divulgado sobre o fato na imprensa local. Novidade não foi para mim, pois é fato que isto sempre ocorreu, sendo caso normal, no gabinete de todos os deputados. Até me arrisco dizer, que os Tribunais de Contas fazem vista grossa. Este artifício se constitui em uma solução encontrada, para acomodar os amigos em alto estilo.

O mesmo texto do Jornal O Globo, tratava das obras então desenvolvidas, que não eram prioritárias, mas apenas se constituindo de mais um luxo dos deputados, nada agregando à edificação, que já estava atendendo muito bem ao funcionamento daquela casa legislativa.

Concordo perfeitamente, que o túnel que interliga ambientes daquela casa, foi executado tão somente, para que os deputados se distanciassem dos seus correligionários, que muitas vezes esperavam nos corredores da Assembléia, para uma conversinha de pé de ouvido. Conversa em pé de ouvido, os deputados só gostam mesmo nos períodos eleitorais.

O fato é que estas matérias não são divulgadas na imprensa local, porque está amordaçada, ao ponto de que existem tão somente a serviços de determinados segmentos da vida pública. É uma pena que o dinheiro público seja utilizado de forma tão pobre. Tenho um sentimento comigo, de que é muito caro para o setor público, manter todos estes segmentos blindados, essencialmente quando se trata de acordos, pois estes amordaçam com malvadeza, até antigos inimigos políticos. Precisamos aprender a votar. As próximas eleições estão sendo preparadas. Rogo para que saibamos exercitar com maestria, este grande direito que temos ao nosso alcance.

Toque
A questão da “Folha Zero” é antiga. Em 2001, a imprensa cearense deu maior repercussão, movida pela força política do então governador Tasso Jereissati que “brigou” com o presidente da ALEC Wellington Landim. No contexto atual, 02 fatos nos assustam: nenhuma providência foi tomada à época, como se nota. O segundo é que a partir de 2007 sofreu um grande impacto (para pior), crescendo mais de 20%. Pior ainda: o silêncio reina no mundo político, onde oposição e situação fazem vistas grossas.


& Retoque
Por isto insisto em afirmar, que o custo destes acordões aos cofres públicos, é enorme. Não é fácil, manter tantos antagonismos agregados em um só bloco e comandados por uma só batuta. Esta unanimidade de fato não existe. O que existe de concreto, é uma perfeita divisão do bolo, aliada a um grupo de pessoas que preferem um meio mais fácil de sobreviver.

Bom lembrar, que o desmando não fica apenas na folha zero. É muito grande a folha dos que estão licitamente à disposição dos gabinetes e nem sequer comparecem ao trabalho, para oferecerem a contrapartida pelo que recebem dos cofres públicos.

Toque
Setores como o comércio, serviços e agropecuária que tocam a economia do município são os mais prejudicados, pois, não recebem o devido apoio em políticas públicas. Geram a riqueza, mas, somente algumas “lideranças” desses segmentos são prestigiadas e, mesmo assim, em caráter pessoal, com ações de pouco interesse coletivo...
& Retoque
Qualquer indicador de pobreza, coloca Tauá em faixas humilhantes. Para se ter uma idéia, temos em Tauá, 68,22 % da população sem nenhuma renda, ou com renda de até um salário mínimo; temos 3,34% da população com renda entre 5 a 10 salários mínimos e acima de 10 salários mínimos, temos apenas 1,51%. Isto significa dizer, que com pouco esforço, seremos capazes de relacionarmos os nomes daqueles que ganham acima de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais).

Enquanto amargurarmos indicadores tão perversos, não podemos falar em progresso, mas em pobreza e subdesenvolvimento. A riqueza de Tauá nunca esteve tão concentrada nas mãos de poucos e nunca vi as poucas oportunidades que surgem, serem direcionadas para os mesmos. Ai daqueles que ousam empreender, sem o ombro amigo da batuta.

Toque
A Prefeitura se aproveita disso e vai pelo “mais fácil”, sub-empregando muita gente, desviando um dinheiro que serviria para estimular o setor produtivo e prestar bons serviços à população. Escraviza e humilha ao invés de promover o desenvolvimento.
& Retoque
A verdade é que não se vê nenhum projeto que incentive a geração de renda. Para os que não concordam com o ombro amigo, só resta o caminho de São Paulo, que também já não oferece as oportunidades cortejadas do passado. Os programas existentes, não passam de meras fantasias, sem nenhum cunho de alcance concreto. Algumas idéias são realmente desenvolvidas, mas tão somente no campo da mídia, para quem tiramos o chapéu, pela capacidade de vender o que não existe. Basta ver como são vendidos os programas de Biodiesel, Energia Solar, Cidade Digital e tantos outros.

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